Quando a paixão entra em cena

“Experenciar é penetrar no ambiente, é envolver-se total e organicamente com ele em todos os níveis: intelectual, físico e intuitivo”. A afirmação é da Viola Spolin, que teoriza sobre as artes cênicas. Mas o que presenciei nesta noite de palhaçaria, noite de Cia de Arte lotada – por um público repleto de risos, surpresas e lágrimas – foi muito mais que cênico.

É como nosso mestre Rafael de Moura sempre nos adverte - com a propriedade de quem transita nas duas artes – ser palhaço não se trata de ATUAR, mas sim de SER aquele que veste o nariz vermelho num ritual quase sagrado. Processo de total entrega e encharcado por suas características próprias, descobertas e/ou construídas ao longo de uma etapa transformadora de nossas vidas.

Foi intenso. Não cênico, foi real. Transbordou encantamento e superação. No palco figuraram pessoas como eu e tu. Com medos, desejos incertos, inseguranças mil, ideias, propostas, intenções, tensões, visões ilimitadas.

Mas tudo que vi foi domínio de cena, foi cada novo ser da arte da palhaçaria numa aposta incondicional, numa entrega gostosa de quem promovia diversão ao público e se divertia ao mesmo tempo. Delícia! Pura paixão.

Com sonoplastia perfeita, roteiro e direção de Rafael de Moura impecáveis, as cenas transcorridas em restaurante, aeroporto, residência ou rua, todas despertavam interesse. Se por raros momentos os risos não foram ouvidos, certamente foi porque algum sentimento mais profundo, mais interior e reflexivo foi chamado à cena.

Assim, com a grandiosidade dedicada por cada um, com um olhar coletivo, somados à trocas de cenas cadenciadas e roteiro afinado, palhaços e palhaças imersas de corpo e alma deram um show. “Parei, Olhei, Virei e Fui” - espetáculo maravilhoso, cuja culminância após cinco meses de muito trabalho, foi a formatura deste módulo I e a comprovação de que a transformação e superação estão postas a todos que se entregarem e libertarem sua criatividade. Parabéns a todos e que venha o módulo II!

Afinal, a Escola de Palhaços Construindo seu Clown coloca a paixão em cena.

Cátia Cylene – aspirante à palhaça



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